terça-feira, 30 de junho de 2009

“Noite de blues”


As lembranças em uma noite de blues...
Livre e perdido para amar...
Correndo solto, como louco, entre a multidão...
Mas era você quem deveria amar...
Os sons dos metais empolgavam meus sentimentos...
E aquela foi minha noite mais vivida...
Que o sonho me fez viver...
Sem encontros planejados...
Sem encontros desejados...
Era eu você, na singela emoção de amar...
Em busca de uma vida mais límpida...
Como a cor e o brilho da natureza...
Onde os sorrisos não disfarçam a solidão...
E minha paz consolidaria em tê-la...
Nas lembranças em uma noite de blues...
Entre as festas...
Entregues as carências...
Um beijo te desejando amor...
E gritar para o mundo que encontrei você...
Diante os pileques vividos quando não pude lhe ter...
E peço agora que me abrace...
Pois nessa noite será minha...
Como minha última paixão para amar...
Como minha última canção para escutar...
Nesse intervalo de emoção...
Entre minhas composições poéticas...
Entre o sonho perdido que reencontrei...
Tudo não passa de minhas lembranças...
Em uma noite desejada de blues.

Marcos Gomes, 30/06/2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Caminhos obscuros


Entre o espaço e tempo...
Vejo sentimentos que deságuam ansiedade e refletem-lhe carência...
Perplexando desejos...
Em escuros profundos pela tristeza...
Que sentem a falta de seu beijo...
E lhe mostram o opaco de seu brilho...
Surpreendentemente ludibriado por uma dor...
Por onde somente meus olhos interpretam o que senti...
E pela penumbra de seus anseios...
Ofuscam-se seus sentimentos...
Hoje estou só...
Amanhã estarei à procura de um sentido...
O enigmático é uma façanha...
Portanto, seus anjos são a fonte dos caminhos...
Através de encontros que camuflam sujeiras entre asfalto...
Por complexos onde a ocasião admite o que sentimos...
E eu pressinto um obscuro...
Mas você clareia essa ausência.

Marcos Gomes.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

“Palavras”


Talvez palavras lembrassem do que preciso...
Nesse consciente confuso...
Consumido por uma tristeza que o alimenta...
Talvez seus braços aquecessem-me desse frio...
Nessa carência constante...
Em busca de sua fonte que a elimina...
Eu sinto seu amor...
E a lembrança de seu beijo torna-se fé e esperança...
Os desejos restringem seus sentimentos...
Em busca da felicidade que mais lhe completa...
Por visões onde seus passos perdem suas inocências...
E descobrem que o caminho que o transforma...
São suas visões transcendentes...
Onde seu pecado me introduz amor...
E reflete em nossa volta toda nossa natureza...
Podemos deixar de pensar em tristezas...
Mas o que eu sinto se apaga nessa tristeza...
Estou vivendo sua maneira...
E apelo pela sua presença...
E por todos os seus sonhos...
Encontrei-me lá por suas lembranças...
Os momentos movem-nos a emoções...
Pelos sentimentos que movimentam-nos a nossos instintos...
E as palavras tornam-se culpas impulsivas...
Talvez essas palavras lembrassem do que preciso.

Marcos Gomes.

terça-feira, 2 de junho de 2009

“O fruto”


O fruto não pode ser tocado...
O fruto não pode ser cortado...
Eu o guardo para um dia devolver...
Como forma de respeito e gratidão...
No anseio de ainda sentir o que nunca deixei...
Mesmo no amargo da dor...
Na extinção da esperança...
Quando o momento foi à morte...
E o meu colapso foi pensar em tê-la...
Então, por que partiu?
Fostes e não saboreastes o fruto...
O meu desespero foi a solução...
E agora estou de volta aqui...
Entre jogos e venenos...
E qual foi sua história?
A minha já foi mentida...
Quer vê-la, abra está porta?
Veja meus filhos, meninos depressivos...
Meus estímulos consumidos...
E mesmo desejando a morte, estou vivo...
Pois você que partiu...
Preferiu fazer eu sofrer minhas tristezas pela ilusão...
E agora reconheço o tempo de se partir o fruto...
Antes da vontade de consumi-lo...
Antes da vontade de pedir mais um...
E hoje diante disso...
Tuas preces estão sendo escritas e vividas pelo tempo...
Onde teu amor ainda torna-se envolvente...
E eu me perco nessa distração...
Achando voltar a um tempo, longe de minhas confissões.

Marcos Gomes 02/06/2009.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

DUBAI OU TAILÃNDIA?


Ontem, no final da tarde chuvosa, após algumas doses de uísque, selo preto, o meu amigo sociólogo Jocivaldo França, que também é um profundo conhecedor das letras, dizia-me, citando Honoré de Balzac:
O amor é dizer a si mesmo: “aquele (a) que amo é um (a) infame; engana-me; enganar-me-á; é um (a) libertino (a) um (a) ingrato (a)”. E correr para ele (a) e nele (a) encontrar o azul do éter e as flores do paraíso.
Refletindo sobre o assunto, lembrei de um conto em forma de carta de autoria de Wilson Rodrigues Carvalho, colunista do site Quarta Coluna, e que também assina os romances “O segredo de Kauana Lyra”, e “Nós, os revolucionários”.

Prezado desgraçado,

Ninguém mais escreve cartas. Como ainda me sinto alguém, apesar de tudo, escrevo essas parcas linhas, seu porco, para expor-lhe algumas dúvidas. Sabe quando, após 35 anos, vc se olha no espelho e finalmente se vê? Evidente que não me responderá, pois, do alto dos seus 58 anos, vc certamente não se enxergou uma vez sequer. O seu ego sempre tapava a imagem no espelho. Seu pênis nunca me causou grandes impressões, ao contrário do seu ego superdotado. Fui ingênua, relacionei idade com maturidade e sabedoria. Nem sabedoria fútil de botequim encontrei em vc. Achávamos que era fácil enganar sua...aquela mulher. Várias vezes gozamos da sua (dela) ingenuidade execrável. Ela acreditava muito facilmente nas suas explicações fajutas. Eu condenava a sua (dela) tolice e, cega, não enxergava a minha própria. Tola, ingênua, humilhada. Em resumo: eu.
Sinto-me envergonhada ao reconhecer nossa ausência total de originalidade: reuniões nos fins de semana?, pescaria no clube de campo, vc, um ser urbano que não sabe pegar peixe nem na feira?, futebol com os amigos nos hábitos de um sedentário convicto, amante de maminha, picanha e charuto cubano? A vergonha é um prato que se come frio. Na pior hipótese (continuo nada original), poderia ser tudo igual, até hoje. Não queríamos reinventar a roda dos amantes secretos. Se eu não fosse tão manipulável, quando supostamente apaixonada, vc não teria levado aquela peça íntima no bolso do terno. Eu não conseguia contemplar o firmamento sem ver a miragem do seu rosto entre nuvens de algodão e o azul do céu. Se é que existe céu. Pois, hoje, vc é pra mim apenas mais um entre executivos prepotentes e egocêntricos que passam em seus carrões, falando no celular com expressão de idiota sério e responsável. Vc sabe o que é dinheiro e a felicidade vil que ele pode comprar, sabe sobre ternos caros, sapatos italianos e agenda lotada, mas não sabe o que é humilhação, seu cretino. Então, vou tentar lhe descrever: ela entrou no meu consultório como uma paciente qualquer, olhou-me fundo nos olhos, não notei nada anormal, sorriu sem mostrar-me os dentes. Estendi a mão, ela estendeu a sua, mas permaneceu com ela cerrada, como se segurasse um pequeno pássaro fujão. Quando toquei sua mão, senti o tecido sedoso. Dentro da calcinha embolada, um papelzinho branco, sobre o papelzinho branco o número 7398-1222. Lembra-se do número da minha clínica, seu tolo cheirador de calcinha alheias? Eu e os lugares-comuns dos amantes secretos. Ela não me xingou sequer do mais clichê dos nomes para amantes secretas; piranha ou vaca, por exemplo. Então, eis aqui a revelação, imbecil: ela sempre soube de nós. E, que raiva, das outras sobre as quais eu não sabia, seu porco gordo e repulsivo. Ela suportava porque não precisava de vc, físico e espiritualmente falando; precisava dos seus cartões sem limite e da sua assinatura para abrir contas secretas em paraísos fiscais; ela malhava, lia, pegava avião como quem pega ônibus todo dia de manhã para trabalhar, ela transava com deuses do Olimpo que cobravam fortunas, às suas custas; e vc crente de que ela passava o dia descabelada, deprimida sobre a cama, esperando o que vc jamais daria. Ela fazia bacanais em Dubai, no Burj AL Arab, e ligava chorando, enquanto era currada por um negro enorme (em todos os sentidos), dizendo que não via a hora de voltar para casa. Vc não era o único homem dela? O único que “entrava ali”, como gostava de se gabar? Droga! Sinto falta dele. Ele nunca mais vai querer ouvir falar em mim, se receber esta carta. E ninguém mais escreve cartas. Vou enviar um e-mail, dizendo que estou um pouco chateada. Digo que não posso explicar e me alongar muito, pois tenho muito trabalho. Quem sabe o descarado, o sem-vergonha não me propõe um fim de semana em Dubai, para conversarmos como dois jovens adultos. Antes, porém, posso ligar para ela, e perguntar se Dubai é melhor do que a Tailândia.

Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com

domingo, 24 de maio de 2009

A SORDIDEZ HUMANA


Uma nuvem negra de boatos, fofocas e intrigas, pairam sobre Macapá. Desde pessoas ilustres as mais humildes, são vitimas da maledicência humana. Onde está a origem desse mal? Recordo-me de uma leitura de DOM QUIXOTE, onde Miguel Cervantes dá voz ao personagem: - Ó inveja, origem de males incontáveis e túmulo das virtudes! Todos os demais vícios, Sancho, trazem consigo alguma delicia; só o vício da inveja é feito exclusivamente de desgostos, rancores e fúrias.
Em Calila e Dimna aprendi que “o machado corta a árvore, e esta volta a nascer e crescer; a espada corta a carne e quebra o osso, e a ferida sara e o osso se solda, mas as feridas que a língua abre nunca se cicatrizam”.
E para melhor ilustrar o que penso a respeito, trago aos meus leitores, um artigo da escritora gaúcha LYA LUFT, de quem sou grande admirador e que magistralmente aborda o assunto:
“Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.
Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?
O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça
De qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido e nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: “Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha”. Ou: “Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe
Ou um assessor dele”. Mais ainda: “O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...”. Outras pérolas: “Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...”.
Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer “Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...”, e aí se lança o mal cheiroso petardo.
Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... E se dirá que é por idealismo, pela fé, por que seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.
A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas
Circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exalta seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós”.

Wagner Gomes
wagnergomesadvocacia@uol.com.br
wg_ed.wagneradv@hotmail.com

quinta-feira, 21 de maio de 2009

“Suas Palavras”


Com suas palavras, recebo boas noticias...
Como palavras de íntimos amigos...
Como palavras chaves...
Que oferecem emoções que desejamos sentir...
Enquanto nessa fase, há um pranto...
Como amantes que magoamos...
Como fiéis que valorizamos...
E nessa situação estamos bem juntos...
Pois com suas palavras, hoje refleti...
Em uma esquina com alguns de meus inimigos...
Onde o rancor desvendava algumas dores...
E as palavras que falou não me serviram...
Talvez por emoções já perdidas...
Que somente o tempo degradou...
E agora é o momento para uma nova cultura...
Onde a leitura reanime e dei vida a alguma de minhas inspirações...
Pois nos livros que leio...
Ainda sou depressivo...
Em um encontro triste...
Que pede liberdade a solidão...
Então acredite na vida que tem pela frente...
Realize alguns de seus sonhos...
Supere isto...
E me conte como foi!...
Preciso de suas palavras renovadas...
Sua visão re-planejada...
Em minhas emoções...
Suas palavras são os caminhos que decifram meus sonhos...
Onde eu não posso me perder e nem me encontrar...
Quero apenas sentir o prazer.

Marcos Gomes 21/05/2009.